Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador (BA), no ano de 1830. Filho de uma guerreira negra, a ex-escrava Luiza Mahin, e de um português senhor de engenho, foi o primeiro grande líder negro de São Paulo - seu busto está sobre um pedestal no Largo do Arouche, na capital paulista, e sua biografia revela seu pioneirismo como abolicionista e intelectual.
Advogado, jornalista, poeta, membro da maçonaria e fundador do Partido Republicano Paulista, Gama nasceu livre, mas foi vendido como escravo aos 10 anos pelo próprio pai. Na juventude aprendeu a ler e tomou ciência de sua condição de homem livre, tornou-se autodidata e enveredou pelo exercício da advocacia, mesmo sem ser formado, e da militância política.
Como advogado prático (rábula), obteve sua primeira grande vitória advogando em causa própria, livrando-se da condição de escravo. Como poeta, especializou-se na sátira. Como jornalista, polêmico, tinha por principal causa a luta contra a escravidão.
Sua militância culminava na advocacia em favor dos escravos. Mais de 500 negros foram libertados por ele nos tribunais. E um de seus recursos era invocar a lei de 1831 que aboliu o tráfico interoceânico de escravos. Incansável agitador das causas negras, Gama foi perseguido e ameaçado de morte. Seu enterro, no dia 24 de agosto de 1882, foi uma apoteose que mobilizou toda a São Paulo da época. No cortejo, da rua do Brás (atual Rangel Pestana), onde Luís Gama morava, até o Cemitério da Consolação, estava presente sua volumosa corte de admiradores, formada por negros humildes, estudantes da Faculdade de Direito, escritores, jornalistas, alguns membros da crescentemente poderosa elite cafeeira e até um membro destacado da mais rica família do período, Martinico Prado.
Seu túmulo ainda está no Cemitério da Consolação, identificado pela lápide: “Abolicionista Luís Gama, ✭ 21-06-1830 ✝ 24-08-1882”.
Fonte: F olha de S. Paulo, revista Veja e o livro As mil vidas de Luiz Gama, da editora Summus
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