Negra, Chiquinha Gonzaga, primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil etc e tal

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, nasceu  carioca e viveu 87 anos, entre o dia 17 de outubro de 1847 e 28 de fevereiro de 1935. Compositora, pianista e regente brasileira, foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha-rancho carnavalesca que se tem notícia, "Ô Abre Alas", de 1899, e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Não faltaram preconceitos e lutas em sua vida. Filha do casal Jorge Basileu Gonzaga e Rosa Maria Neves de Lima, ele,  general do Exército Imperial Brasileiro; ela,  negra, de origem humilde, foi discriminada por criar seu filho sozinha, por abandonar dois maridos, por trabalhar, viver da música. Ativa participante do movimento abolicionista, vendia suas partituras de porta em porta para comprar a alforria de escravos. E esteve presente também na campanha republicana e em todas as grandes causas sociais do seu tempo.  

Maior personalidade feminina da história da música popular brasileira e uma das expressões maiores da luta pelas liberdades no país, Chiquinha introduziu a música popular nos salões elegantes e, em setembro de 1917, após anos de campanha, liderou a fundação da SBAT, sociedade pioneira na arrecadação e proteção dos direitos autorais.  

A menina Francisca foi educada em uma família de pretensões aristocráticas - era afilhada de Duque de Caxias e conviveu bastante com a rígida família de seu pai.
Estudou piano com professor particular e aos 11 anos compôs sua primeira música, uma cantiga de Natal intitulada “Canção dos Pastores”. Mas, desde cedo, buscou sua identificação musical com os sons oriundos da África, frequentando rodas de lundu, umbigada e outros ritmos populares.

Casou-se aos 16 anos, com um oficial da Marinha Mercante escolhido por seus pais. Poucos anos depois abandonou o marido, deixando com ele dois de seus três filhos. Depois, foi viver com um engenheiro de estradas de ferro com quem teve mais uma filha, que também foi criada pelo pai após a separação.

Sozinha, com a responsabilidade de criar o filho mais velho do primeiro casamento, Chiquinha passou a sobreviver como professora de piano. A convite do famoso flautista Joaquim Antônio da Silva Callado (1848-1880), passou a integrar o Choro Carioca como pianista, tocar em festas e frequentar o ambiente artístico.

A estreia como compositora se deu em 1877, com a polca ”Atraente”, composta de improviso durante uma roda de choro. Sua vontade de musicar para teatro levou-a a escrever partitura para um libreto de Artur Azevedo, “Viagem ao Parnaso” - a peça foi recusada pelos empresários. E foram muitas as tentativas sem sucesso. Era o século XIX com toda sua discriminação contra a mulher.

Mas, em 1885, Chiquinha conseguiu vencer a barreira e musicar a opereta de costumes “A Corte na Roça”, encenada no Teatro Príncipe Imperial. E, em 1889, promoveu e regeu, no Teatro São Pedro de Alcântara, um concerto de violões, instrumento estigmatizado àquela época.

Na primeira década do século XX esteve algumas vezes na Europa, fixando residência em Lisboa por três anos. E esta foi a alternativa que Chiquinha encontrou para proteger-se de mais um preconceito: a paixão por um jovem de 16 anos quando já tinha 52 anos. Para fugir das más línguas, a maestrina adotou  João Batista Fernandes Lage como filho, embora vivessem como marido e mulher. Chiquinha nunca assumiu de fato seu romance, que só foi descoberto após a sua morte através de cartas e fotos do casal.
A contribuição decisiva de Chiquinha Gonzaga ao teatro popular é registrada quando ela compõe, em 1912, a burleta de costumes cariocas “Forrobodó”, seu maior sucesso teatral.

Aos 85 anos de idade escreveu a última partitura, “Maria”.

Sua obra reúne dezenas de partituras para peças teatrais e centenas de músicas nos mais variados gêneros: polca, tango brasileiro, valsa, habanera, schottisch, mazurca, modinha etc.

Registre-se, ainda, na história de Chiquinha Gonzaga a presença em alguns saraus no Palácio do Catete, a então morada da Presidência da República, no Rio de Janeiro, responsável por críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os "escândalos" no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças vulgares e representavam uma quebra de protocolo.

Chiquinha Gonzaga foi retratada como personagem no cinema e na televisão por atrizes brancas: Regina Duarte, Gabriela Duarte, Bete Mendes, Malu Galli e Rosamaria Murtinho.

Desde 2012, o dia de seu aniversário, 17 de outubro,  é o Dia Nacional da Música Popular Brasileira.

Leia mais em: Wikipédia, www.acordacultura.org, www.chiquinhaginzaga.com


Comentários

  1. CHIQUINHA GONZAGA foi uma verdadeira guerreira..parabéns!!!

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    1. Jaciana Portella, me desculpe, mas guerreira é quem cria seus filhos passando por cima de todas as dificuldades! Ela merece sim a nossa admiração, porque lutou pra exercer seu talento, lutou pelos escravos e não se ďeixou dominar por um casamento arranjado, mas... bem, só Deus na causa, querida!

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    2. Jaciana Portella, me desculpe, mas guerreira é quem cria seus filhos passando por cima de todas as dificuldades! Ela merece sim a nossa admiração, porque lutou pra exercer seu talento, lutou pelos escravos e não se ďeixou dominar por um casamento arranjado, mas... bem, só Deus na causa, querida!

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  2. Há muito tempo pesquiso bastante sobre vida e obra de Chiquinha Gonzaga porque também sou musicista. Na verdade quem era negra era uma de suas avós (a materna). Sua mãe era filha de negra com branco, portanto mestiça (meio a meio, se é que podemos assim dizer). Francisca, sendo filha de mulher mestiça com homem branco, tinha então 25% de sangue negro herdado de sua avó materna. Apesar de afro- descendente tinha a pele mais clara. Alguns afirmam que TODAS as suas fotos foram "clareadas" para ocultar suas origens, mas acredito que se fosse o caso de ter havido mesmo essa conspiração do 'clareamento' os malucos teriam deixado escapar pelo menos alguma foto. No entanto, em todo esse tempo de pesquisa, nunca encontrei nenhuma foto sequer em que ela tivesse a pele mais escura. Estou dizendo isso não que ela ter a pele mais clara ou mais escura seja relevante para mim... Até concordo que a pele escura seria um fator a mais para agregar causa, mas não era o caso. Só não concordo em 'romantisar um fato em favor de uma causa, por mais nobre que esta seja. O fato é que ela tinha sim tinha origem negra, porém mesmo assim sua pela era mais clara. E ela nem precisava ter a cor da pele mais escura para abraçar a causa porque ela via bem de perto a diferença com que a mãe mestiça era tratada. Voltando a hereditariedade , só pra dar um exemplo, minha avó também era negra e se casou com branco. Apenas um dos meus tios tem a pele mais morena. Como meus outros avós também eram brancos então eu também posso dizer que tenho sangue 25% negro. Finalizando eu posso afirmar que tenho consciência de minha negritude, apesar de minha pele mais clara. Porém imaginem se eu quisesse me auto declarar negra ou parda para fins de cotas em concurso ou vestibular... Seria justo? Também acho que não, mas se eu não posso me declarar assim também não podemos declarar pessoas notáveis como tal apenas para agregar à causa. Um abraço a todos e meu respeito sincero.

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    1. Unknown, amei seu pensamento! Meu bisavô paterno era negro puro, se casou com mestiça, meu avô era "tipo" Dorival Caíme(negro com feições brancas), se casou com mulher branca pura(olhos azuis e nariz aquilino)e meu pai nasceu mulato, olhos verdes e cabelo carapinha). Eu tb não nego minha origem negra apesar de ter a pele clara, olhos verdes) e não uso este fator para me benefeciar, nem para "dar uma de vítima", porque sou em primeiro lugar humana. O resto não tem a menor relevância! Sou musicista também! Um abraço!

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    2. Unknown, amei seu pensamento! Meu bisavô paterno era negro puro, se casou com mestiça, meu avô era "tipo" Dorival Caíme(negro com feições brancas), se casou com mulher branca pura(olhos azuis e nariz aquilino)e meu pai nasceu mulato, olhos verdes e cabelo carapinha). Eu tb não nego minha origem negra apesar de ter a pele clara, olhos verdes) e não uso este fator para me benefeciar, nem para "dar uma de vítima", porque sou em primeiro lugar humana. O resto não tem a menor relevância! Sou musicista também! Um abraço!

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    3. Unknown, amei seu pensamento! Meu bisavô paterno era negro puro, se casou com mestiça, meu avô era "tipo" Dorival Caíme(negro com feições brancas), se casou com mulher branca pura(olhos azuis e nariz aquilino)e meu pai nasceu mulato, olhos verdes e cabelo carapinha). Eu tb não nego minha origem negra apesar de ter a pele clara, olhos verdes) e não uso este fator para me benefeciar, nem para "dar uma de vítima", porque sou em primeiro lugar humana. O resto não tem a menor relevância! Sou musicista também! Um abraço!

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    4. Estou vendo uma fotografia da maestrina que o mostra negra,não sabia desta característica.Fonte:IMMuB,O maior catálago de música brasileira.

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